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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um US Open cheio de surpresas (2ª parte)

Não consegui arranjar tempo para escrever a segunda parte do artigo sobre o US Open mais cedo, mas mais vale tarde do que nunca. Vou então reflectir sobre o que se passou no quadro masculino.


Em primeiro lugar, embora não tenha tido tantas surpresas, é importante dizer que as maiores baixas na fase mais adiantada do torneio foram o americano Andy Roddick e o escocês Andy Murray, afastados na 2ª e 4ª ronda respectivamente. Eu não estava de todo à espera, uma vez que estamos a falar do vencedor do torneio de 2003 (Roddick) e o finalista do ano passado.
Excepto este dois casos, correu tudo como se esperava até à final. Eu sinceramente já esperava que Rafael Nadal fosse eliminado nas meias-finais, uma vez que estava debilitado fisicamente e Del Potro foi imperial no resto do torneio. De qualquer forma, foi uma boa prestação de Nadal que conseguiu até chegar muito longe para quem esteve parado por lesão durante dois meses. Federer também fez um percurso bastante bom, derrotando Novak Djokovic nas meias-finais e fazendo um dos shots mais incríveis do torneio.



Mas a maior surpresa de todas foi mesmo o triunfo de Juan Martin Del Potro sobre o campeão que é Roger Federer. Foi uma partida extremamente bem disputada.
O suíço entrou no jogo muito agressivo, demonstrando o seu arsenal de pancadas e impedindo o argentino de entrar no ritmo que ele tanto gosta. A solidez do jogo de Federer e o nervosismo que se fazia notar em Del Potro, por esta ser a sua estreia em finais de torneios de Grand Slam, ditaram que Federer ganhasse mesmo o 1º set por 3-6 de forma relativamente fácil.
O início do 2º set parecia ir pelo mesmo caminho, com Federer a conseguir quebrar o serviço a Del Potro, mas o argentino conseguiu quebrar de volta, elevando claramente o seu nível de jogo. No tie break, Del Potro, de apenas 20 anos, apresentou-se muito mais confiante acabando mesmo arrecadar a segunda partida por 7-6. Agora voltavam a estar empatados e ambos os jogadores sabiam da importância do próximo set. O jogo estava completamente relançado, com Del Potro finalmente a conseguir impor o seu jogo e Federer a ter de estar mais concentrado para evitar cometer erros desnecessários, como aconteceu no 2º set.
O 3º e o 4º sets foram os melhores do encontro. Jogos cheios de emoção com os dois jogadores a jogarem o seu melhor. Del Potro estava decidido a lutar pelo título e apesar de ser um jogador extremamente sereno, não deixou de interagir com o público. Público esse que se fez ouvir, como é habitual em Flushing Meadows. O 3º set foi para o suíço por 4-6, enquanto que o 4º foi para o argentino novamente por 7-6, adiando-se a conclusão do encontro para o set final.
Ao contrário do que sucedeu em Roland Garros uns meses antes, também contra Federer, Del Potro soube manter-se dentro do encontro embora mostrasse sinais evidentes de cansaço. Quem ninguém pensava que fosse ceder fisicamente foi Federer, mas foi isso precisamente que aconteceu. Federer mostrou-se apático no último set, fazendo erros atrás de erros e cedendo o seu primeiro jogo de serviço. Com 5-2, Del Potro parecia ter tudo para ganhar se conseguisse manter o seu jogo de serviço. Mas tal não foi preciso, pois Federer cedeu pela segunda vez o break, fazendo com que o argentino se tornasse no novo campeão do US Open.
Após quatro horas de jogo, Juan Martin Del Potro caiu no chão, não conseguindo evitar as lágrimas. Del Potro conseguia finalmente o seu primeiro título do Grand Slam e não há dúvida que o mereceu. Foi o jogador mais consistente, em termos físicos e mentais, lutando contra o cansaço físico e contra o barulho ensurdecedor do público presente. Nenhum argentino conseguiu ganhar o US Open desde a vitória de Guilhermo Villas em 1977, o que tornou este triunfo ainda mais importante.

Del Potro é um jogador a ter em atenção nos próximo anos. É jovem e ainda pode evoluir muito. Ele já provou que é um jogador de grande nível e penso que eventualmente vai conseguir ser nº 1 mundial, é uma questão de tempo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um US Open cheio de surpresas (1ª parte)

O US Open terminou ontem e este foi um torneio no mínimo diferente. O evento decorreu de 31 de Agosto a 14 de Setembro com a presença da chuva a fazer adiar a final masculina para segunda feira, tal como no ano transacto. No que toca ao evento de singulares femininos, Kim Clijsters sagrou-se campeã mostrando que, após uma paragem de dois anos, continua a ser uma das jogadoras mais fortes do circuito. Do lado masculino, Juan Martin Del Potro espantou o mundo ao eliminar "o melhor jogador de sempre" Roger Federer, terminando a série de cinco vitórias consecutivas do suíço em Flushing Meadows.

Uma das principais surpresas este ano foi a eliminação precoce das tenistas russas do quadro principal, que têm dominado o ténis feminino nos últimos anos. Neste torneio, nenhuma chegou aos quartos de final, o que é muito raro nos dias que correm. Mas esta situação aconteceu muito por culpa da nova grande esperança americana, Melanie Oudin. A jogadora de 17 anos surpreendeu tudo e todos deixando pelo caminho nomes como Elena Dementieva, Maria Sharapova e Nadia Petrova. Embora tenha ficado pelos quartos de final, foi um feito impressionante. E a jovem Oudin não perdeu com qualquer uma, mas sim com Caroline Wozniacki, uma das grandes promessas do ténis feminino, que disputou a final com Clisters.

Contudo, a grande novidade foi mesmo o regresso de Clijsters ao circuito, tendo jogado apenas dois torneios antes deste Open dos Estados Unidos. A belga de 26 anos resolveu deixar o ténis em meados de 2007 para formar família e cuidar do pai. Dois anos depois estava de volta para tentar revalidar o único Grand Slam que conseguiu vencer antes de se retirar, tendo ganho em 2005. Durante as duas semanas do torneio, o regresso da belga foi o assunto mais falado, com a rubrica "Kim Back" a surgir quase todos os dias, com muitas entrevistas à jogadora, à sua nova família e equipa técnica. Toda esta atenção não é de estranhar, uma vez que Clijsters era considerada uma das jogadoras mais simpáticas e correctas do circuito antes de sair de cena. É sem dúvida uma grande desportista que fazia muita falta no ténis feminino. Foi impressionante vê-la vencer encontro após encontro, alguns mais difíceis que outros, mas sempre muito decidida e muito inteligente em court. Não teve mesmo uma tarefa nada fácil, eliminando as duas irmãs Williams pelo caminho. Além disso, o encontro com Serena vai ser muito discutido nos próximos tempos, não pelo ténis que se jogou, mas por uma falta de pé atribuída à americana num momento decisivo do jogo que, com o resultado a 6-4 e 6-5 para a belga, fez com que Serena perde-se automaticamente o seu jogo de serviço (e o encontro) por uso de vocabulário impróprio para com a juiz de linha.

A final foi protagonizada pelas duas jogadoras mais consistentes do torneio: Clijsters e Wozniacki. A dinamarquesa de 19 anos ainda deu luta no 1º set, aguentando relativamente bem a pressão do momento. No entanto, a belga venceu o set e não teve dificuldades em ganhar o segundo, mantendo um jogo mais agressivo e lidando muito bem com os erros que cometia. Foi um Grand Slam de sonho para Kim Clijsters, que provou novamente que é uma campeã e que está para ficar. O festejo da belga até a mim me tocou, com a filha Jada a marcar presença no Arthur Ashe Stadium. E mais, ela conseguiu o feito de ganhar um GS como Wildcard, estando fora do top 100. Com este triunfo vai conseguir posicionar-se entre as 20 primeiras.

Para quem, após uma paragem de dois anos, volta e ganha um Slam, eu diria que tem sérias hipóteses de se tornar nº1 se manter este nível. Se a Justine Henin não voltar ao circuito no próximo ano, parece-me que Clijsters é bem capaz de vencer mais um ou dois Slams.